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Engenharia Ambiental em números: 30 mil títulos, 13 mil calouros por ano e o único saldo positivo do núcleo ambiental

A Engenharia Ambiental é a mais nova das grandes engenharias do núcleo ambiental brasileiro, regulamentada e formando gente desde 1997, e é também a primeira, entre as profissões que esta série já cobriu, com mais gente entrando do que saindo no mercado formal. O Sistema Confea/Crea registra 30.734 títulos ativos de engenheiro ambiental, 154 instituições oferecem o curso e outras 178 formam a variante Engenharia Ambiental e Sanitária, somando 13 mil calouros por ano. O piso legal é o mesmo das demais engenharias, e aqui o mercado chega mais perto dele do que na Agronomia. Este é o terceiro texto da série em que o AMB4 passa a régua, profissão por profissão, no estudo "Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira".

Por Redação AMB4 12 min EconomiaSociedade
Engenharia Ambiental em números: 30 mil títulos, 13 mil calouros por ano e o único saldo positivo do núcleo ambiental

A Engenharia Ambiental é a mais nova das grandes engenharias do núcleo ambiental brasileiro, regulamentada e formando gente desde 1997, e é também a primeira, entre as profissões que esta série já cobriu, com mais gente entrando do que saindo no mercado formal. O Sistema Confea/Crea registra 30.734 títulos ativos de engenheiro ambiental, 154 instituições oferecem o curso e outras 178 formam a variante Engenharia Ambiental e Sanitária, somando 13 mil calouros por ano. O piso legal é o mesmo das demais engenharias, e aqui o mercado chega mais perto dele do que na Agronomia. Este é o terceiro texto da série em que o AMB4 passa a régua, profissão por profissão, no estudo “Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira”.

Quem já está habilitado

O Mini-Censo Confea 2024 registra 30.734 títulos ativos de engenheiro ambiental no Brasil. É a quarta maior profissão do núcleo ambiental direto, atrás da Agronomia (136.331) e à frente da Engenharia Florestal (16.827) e da Engenharia de Pesca (2.263). A ressalva de sempre vale aqui também: o Confea conta títulos, não pessoas, e um mesmo profissional pode ter mais de um.

Um recorte mais antigo do próprio Confea, apresentado na Proposta 38/2023 e com base em 2021, chega a um número maior: 35.596 profissionais na família “Engenharia Ambiental, Sanitária e Ambiental e Sanitária”. A diferença não é queda na profissão, é escopo: esse levantamento soma três títulos correlatos (Ambiental, Sanitária, e Ambiental e Sanitária), enquanto o Mini-Censo 2024 conta só o título “Engenheiro Ambiental” isoladamente. O mesmo documento mostra de onde vem essa família: em 2021, o e-MEC listava 398 cursos de graduação nela, sendo 175 só de Engenharia Ambiental, 214 de Engenharia Ambiental e Sanitária, 8 de Sanitária e Ambiental e 1 só de Engenharia Sanitária.

Há ainda uma peculiaridade de classificação que vale registrar. O Confea organiza sua estrutura por grandes grupos de câmaras especializadas, e o Grupo Agronomia, que reúne cerca de 120 mil profissionais, abrange oficialmente as engenharias agronômica, florestal, agrícola, ambiental e de pesca. Ou seja, para fins de câmara técnica nacional, a Engenharia Ambiental às vezes é tratada como parente da Agronomia, não como um núcleo próprio. No Crea-SP, isso só mudou de forma simbólica muito recentemente: a Câmara Especializada de Engenharia Ambiental e Sanitária (CEEAS) foi criada em 15 de janeiro de 2026, quase trinta anos depois da primeira turma de engenheiros ambientais formada no Brasil, em 1997, na hoje Universidade Federal do Tocantins. Desde então, 31 de janeiro é celebrado como o Dia da Engenharia Ambiental.

Gráfico: dois recortes do estoque de engenheiros ambientais, Mini-Censo 2024 e Proposta 38/2023
IndicadorValorReferência
Títulos ativos de engenheiro ambiental30.734Mini-Censo Confea 2024
Família Ambiental/Sanitária/Ambiental e Sanitária registrada35.596Confea, Proposta 38/2023, base 2021
Cursos de graduação na família (e-MEC 2021)398Confea, Proposta 38/2023
Profissionais no Grupo Agronomia do Confea (inclui Ambiental)cerca de 120 milConfea, 2025
Profissionais ativos no sistema (todas as modalidades)1.219.742Confea, censo set/2024 a fev/2025
Primeira turma formada no Brasil1997, atual UFTCrea-SP
Câmara especializada própria no Crea-SP (CEEAS)criada em 15/01/2026Crea-SP

Quem está chegando

O Censo da Educação Superior 2024, do Inep, trata Engenharia Ambiental e Engenharia Ambiental e Sanitária como dois cursos distintos, e os dois são bem maiores em matrícula do que em conclusão. Engenharia Ambiental tem 154 instituições, 16.509 matrículas, 6.410 ingressantes e 1.803 concluintes em 2024. Engenharia Ambiental e Sanitária tem 178 instituições, 14.023 matrículas, 6.687 ingressantes e 1.113 concluintes. Somadas, e sem contar instituições em duplicidade (várias oferecem os dois cursos), as duas formações puseram 30.532 alunos matriculados, 13.097 calouros e 2.916 formandos em 2024, o que já mostra a largura do funil: mais de 13 mil entram, menos de 3 mil saem no mesmo ano.

Colocando isso no conjunto da comunidade ambiental que a série acompanha (306.121 matrículas em oito formações, de acordo com o relatório “Quem somos nós?”), Engenharia Ambiental e Engenharia Ambiental e Sanitária somadas respondem por cerca de 10% do total, atrás de Agronomia (125.299) e Ciências Biológicas (101.868), à frente de Engenharia Florestal, Geologia e Oceanografia.

Gráfico: matrículas nas oito formações da comunidade ambiental em 2024, Engenharia Ambiental em destaque
Profissional em campo com tablet num plantio de restauração florestal, mudas protegidas por tubetes ao lado de uma área alagada
Novos profissionais chegam para um mercado que já cresce em restauração e compensação ambiental. Foto: acervo AMB4

A distribuição geográfica separa claramente os dois cursos. Engenharia Ambiental concentra matrícula presencial em capitais: São Paulo lidera com 18 instituições e 6.099 matrículas, seguida por Curitiba (9 instituições, 1.278) e Belo Horizonte (11 instituições, 817). Engenharia Ambiental e Sanitária, por outro lado, repete um padrão que já apareceu nas duas edições anteriores desta série: Indaial, em Santa Catarina, tem uma única instituição, o Centro Universitário Leonardo da Vinci (o polo EAD da Uniasselvi, o mesmo que lidera matrícula em Ciências Biológicas), com 2.142 matrículas sozinha. Paranavaí, no Paraná, tem outro caso parecido: o Centro Universitário Unifatecie concentra 1.555 matrículas numa única instituição. Belém, com 14 instituições e 1.109 matrículas, é a primeira cidade da lista onde o número alto de alunos vem de oferta pulverizada, não de polo EAD.

Formação (Censo 2024)InstituiçõesMatrículasIngressantesConcluintes
Engenharia Ambiental15416.5096.4101.803
Engenharia Ambiental e Sanitária17814.0236.6871.113
Conjunto das duas*não soma30.53213.0972.916

*Instituições que oferecem os dois cursos apareceriam duas vezes se somadas; por isso a coluna de instituições do conjunto não é informada.

Quanto ganha

Como toda engenharia, a Engenharia Ambiental está entre as profissões cobertas pela Lei 4.950-A, de 1966, que fixa o salário mínimo profissional em 6 salários mínimos para jornada de 6 horas e 8,5 salários mínimos para 8 horas. Com o salário mínimo de 2026 em R$ 1.621 (Decreto 12.797/2025), o piso vale R$ 9.726,00 e R$ 13.778,50, respectivamente.

Aqui o mercado formal chega mais perto do piso do que mostrou a edição de Agronomia. Segundo o Salário.com.br, com base no CAGED entre agosto de 2025 e julho de 2026, o engenheiro ambiental (CBO 2140-05) tem salário médio de R$ 9.843,30, mediana de R$ 10.302,00, piso observado de R$ 3.035,89 e teto de R$ 15.464,45, para uma amostra de 1.914 profissionais e jornada de 42 horas semanais. A mediana fica acima do piso legal de 6 horas e abaixo do piso legal de 8 horas, ao contrário do agrônomo, cuja mediana (R$ 8.805,00) não alcançava nem o piso de 6 horas. Desde 2020, o salário médio da categoria subiu 45,2%.

Gráfico: quanto ganha o engenheiro ambiental, piso legal x mercado formal
FaixaValor mensalFonte
Teto observadoR$ 15.464,45CAGED, ago/2025 a jul/2026
Piso legal, 8 horas (8,5 SM)R$ 13.778,50Lei 4.950-A/1966
MedianaR$ 10.302,00CAGED, ago/2025 a jul/2026
MédiaR$ 9.843,30CAGED, ago/2025 a jul/2026
Piso legal, 6 horas (6 SM)R$ 9.726,00Lei 4.950-A/1966
Piso observadoR$ 3.035,89CAGED, ago/2025 a jul/2026

Como e onde trabalha

Nos 12 meses até julho de 2026, o mercado formal de engenheiro ambiental teve 1.006 admissões e 908 desligamentos, saldo positivo de 98 vagas, o equivalente a 9,7% do total de contratações do período. É o primeiro saldo positivo que esta série encontra: no mesmo período, a Agronomia teve saldo de -260 e a Biologia, de -245. A rotatividade foi de 47,4%, o perfil típico do contratado tem 36 anos, 55% dos profissionais são mulheres (mais uma vez, diferente da Agronomia, majoritariamente masculina), e o setor que mais emprega com carteira assinada é o de escritórios de engenharia, com Belo Horizonte concentrando o maior número de contratações no país.

Gráfico: engenheiro ambiental, saldo positivo no mercado formal
Profissional em campo coletando amostra de água num rio com sonda multiparâmetro e frascos de coleta
Monitoramento de qualidade da água: parte do trabalho de campo que sustenta o licenciamento e a fiscalização ambiental. Foto: acervo AMB4

O Confea não publica, na pesquisa Quaest do Mini-Censo 2024, um recorte de vínculo (CLT, empresário, servidor, autônomo) específico para a modalidade Ambiental, a mesma lacuna já registrada nas edições de Agronomia e Biologia. O que existe é o retrato do sistema inteiro: 92% dos profissionais registrados trabalhando, 78% na própria área, e uma divisão de 40% CLT, 20% empresários, 11% servidores públicos e 29% em outros arranjos (consultoria, PJ, autônomo). Como o setor que mais emprega o engenheiro ambiental com carteira são escritórios de engenharia e consultoria, é razoável supor que a fatia de PJ e autônomo pese pelo menos tanto quanto no restante do sistema, mas não há pesquisa específica que confirme isso.

Movimentação formal (CBO 2140-05)Valor
Admissões, ago/2025 a jul/20261.006
Desligamentos, ago/2025 a jul/2026908
Saldo+98
Rotatividade47,4%
Mulheres entre os contratados55%
Idade típica do contratado36 anos
Crescimento salarial desde 2020+45,2%

O mercado por trás

O maior fato regulatório da profissão em anos recentes é a Lei nº 15.190, de 8 de agosto de 2025, a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental. Ela substitui o processo trifásico tradicional (Licença Prévia, de Instalação e de Operação) por três novos caminhos: a Licença por Adesão e Compromisso (LAC), declaratória e sem análise prévia, ampliada para atividades de médio impacto; a Licença Ambiental Única (LAU), para empreendimentos que precisam de análise técnica, mas de forma mais simples do que o rito antigo; e a Licença Ambiental Especial (LAE), via prioritária para projetos definidos como estratégicos pela União. O efeito prático é deslocar peso da análise prévia, feita uma vez, para o monitoramento contínuo depois de liberado, exatamente o tipo de trabalho técnico recorrente que sustenta escritórios de engenharia e consultoria ambiental, e não um projeto único de licenciamento. Como a lei é de 2025, ainda não há dado de emprego que isole esse efeito.

Profissional numa sala de obra revisando mapa de satélite do terreno num notebook, planta industrial visível pela janela
Com a nova Lei do Licenciamento, o trabalho técnico se desloca da análise prévia para o monitoramento contínuo do empreendimento. Foto: acervo AMB4

Por trás disso está a economia verde, que dois estudos recentes tentam medir sem que suas séries sejam comparáveis entre si. O DIEESE, com base na Rais de 2020, estimou 3,1 milhões de empregos formais em setores verdes no Brasil, 6,7% do total de vínculos formais do país. Já a Unicamp/Cesit, olhando o quarto trimestre de 2024, classificou 16% dos empregos brasileiros como atividades verdes, 25% como baixo impacto ambiental e 59% como de potencial poluidor. Nenhum dos dois estudos isola a engenharia ambiental dentro desses números, mas os dois mostram que o mercado ambiental, no sentido amplo, é ordens de grandeza maior do que os 1.914 vínculos CLT que o CAGED enxerga sob o nome exato da profissão.

Profissional com prancheta inspecionando tanques e tubulações numa planta industrial
Inspeção e conformidade ambiental em plantas industriais: rotina que a nova lei de licenciamento tende a ampliar. Foto: acervo AMB4

O que os números dizem, e o que não dizem

Três pontos ficam claros. Primeiro, a Engenharia Ambiental é ao mesmo tempo nova e consolidada: regulamentada e formando profissionais desde 1997, só ganhou câmara especializada própria no Crea-SP em 2026, e no Confea nacional segue classificada dentro do Grupo Agronomia junto com florestal, agrícola e de pesca. Segundo, entre as profissões que esta série já cobriu, é a primeira com saldo positivo de contratação formal e a que chega mais perto do piso legal da Lei 4.950-A, o que não significa que o piso seja cumprido, só que a distância é menor. Terceiro, a formação está dividida em dois cursos que o Censo trata separadamente (Ambiental e Ambiental e Sanitária), com padrões de expansão diferentes: um concentrado em capitais, outro puxado por polos de ensino a distância, o mesmo fenômeno já visto em Agronomia e Biologia.

O que os números não dizem é quanto da absorção real da profissão vem do licenciamento propriamente dito, quanto vem de resíduos, recursos hídricos, qualidade do ar ou estudos de área contaminada, e quanto do trabalho é feito como PJ, sócio ou autônomo em vez de CLT. A nova Lei do Licenciamento é recente demais para aparecer em qualquer série histórica de emprego, e o Confea não publica pesquisa de vínculo por modalidade. É a mesma lacuna que persegue esta série desde a primeira edição, aqui um pouco mais estreita, porque pelo menos o registro em conselho e o emprego formal, dessa vez, contam histórias parecidas.

Nota metodológica: os 30.734 títulos ativos (Mini-Censo Confea 2024) e os 35.596 registros na família Ambiental/Sanitária (Confea, Proposta 38/2023, base 2021) vêm de levantamentos com anos-base e escopos diferentes, e não devem ser lidos como evolução temporal da mesma métrica. Matrículas, ingressantes e concluintes são do Censo da Educação Superior 2024 (Inep), tabulados por curso via aluno.com.br, e ficam congelados até a divulgação do Censo 2025 pelo Inep. Salários e vínculos do CAGED cobrem só o emprego formal privado sob a CBO 2140-05, numa amostra de 1.914 profissionais, e não capturam quem trabalha como PJ, sócio, servidor ou autônomo. Valores de sistemas diferentes (conselho, Inep, CAGED) não são somáveis entre si.

20 de setembro de 2026

Fontes

  • Confea, Mini-Censo Confea 2024 (painel de perfil dos profissionais e pesquisa Quaest, 48 mil entrevistas): PDF e confea.org.br
  • Confea, Proposta 38/2023 (família Engenharia Ambiental/Sanitária/Ambiental e Sanitária, base e-MEC 2021): PDF
  • Confea, Grupo Agronomia (cerca de 120 mil profissionais, inclui Ambiental): confea.org.br
  • Confea, total de profissionais ativos no sistema: confea.org.br
  • Crea-SP, “Engenharia Ambiental celebra sua visibilidade e maturidade” (CEEAS, 1ª turma em 1997, Dia da Engenharia Ambiental): creasp.org.br
  • Inep, Censo da Educação Superior 2024 (tabulação por curso via aluno.com.br): Engenharia Ambiental e Engenharia Ambiental e Sanitária
  • Lei 4.950-A/1966 e Decreto 12.797/2025 (salário mínimo de 2026): planalto.gov.br
  • Salário.com.br, Engenheiro Ambiental, CBO 2140-05 (CAGED, ago/2025 a jul/2026): salario.com.br
  • Lei nº 15.190, de 8 de agosto de 2025 (Lei Geral do Licenciamento Ambiental): legis.senado.leg.br
  • DIEESE, Empregos Verdes e Sustentáveis no Brasil (2022, base Rais 2020): dieese.org.br
  • Unicamp/Cesit, empregos em atividades verdes (2026, 4º trimestre de 2024), conforme citado no relatório “Quem somos nós?”
  • AMB4, “Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira”, relatório final, edição 2026 (14/09/2026)

Conteúdo informativo, publicado em setembro 20, 2026. Não substitui consultoria técnica ou jurídica específica.

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