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Biodiversidade

Biologia em números: 76 mil registrados, 40 mil calouros por ano e um piso de R$ 4,7 mil que ainda não existe

Por Redação AMB4 17 set 202618 min EconomiaSociedade
Biologia em números: 76 mil registrados, 40 mil calouros por ano e um piso de R$ 4,7 mil que ainda não existe

A Biologia responde por cerca de um terço de tudo o que a comunidade ambiental brasileira tem de gente habilitada e de gente em formação. O Sistema CFBio/CRBios contava 76.531 profissionais distribuídos pelos dez conselhos regionais no fim de 2025, quase 102 mil alunos estão matriculados em Ciências Biológicas, 40 mil entraram só em 2024 e 13,8 mil se formaram no mesmo ano, o maior volume anual de diplomas entre as formações que o AMB4 acompanha. Só que é também a profissão sem piso legal: o projeto que cria um salário mínimo de R$ 4.685 tramita desde 2013 e acabou de sair da Câmara. Enquanto isso, o mercado formal paga, em mediana, R$ 3.711 por mês, e o maior empregador com carteira assinada não é o meio ambiente, é o laboratório clínico. Este é o segundo texto da série Mercado por Profissão, em que o AMB4 passa a régua, profissão por profissão, no estudo “Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira”.

Quem já está habilitado

O Relato Integrado de Gestão 2025 do Conselho Federal de Biologia, publicado em maio de 2026, registra 76.531 “Biólogos, profissionais da Biotecnologia, Ecólogos e Técnicos em Análises Clínicas” distribuídos pelos dez CRBios em 31 de dezembro de 2025, além de 6.360 pessoas jurídicas. O relato do ano anterior trazia 53.871 biólogos e 5.529 empresas. O salto de 42% em um ano não é só crescimento da profissão: em 2024 e 2025 o sistema passou a registrar também ecólogos, profissionais de biotecnologia e técnicos em análises clínicas, e a base de contagem mudou junto.

Por isso o número institucional que o próprio conselho usa em Brasília é maior. Ao defender o piso salarial na Câmara, em junho de 2024, o CFBio falou em “mais de 100 mil profissionais de Biologia registrados no Sistema CFBio/CRBios”, que é o número usado pelo relatório “Quem somos nós?”. Nas mensagens de abertura dos relatos anteriores, a presidência falava em “cerca de 70 mil” biólogos registrados em 2020 e “cerca de 80 mil” em 2021. Os 100 mil incluem, ao que tudo indica, registros inativos ou com pendências; os 76,5 mil são a foto do cadastro no fim de 2025.

Para situar o tamanho: o relatório “Quem somos nós?” contabiliza mais de 286 mil registros e títulos nos cinco grupos que formam o núcleo da comunidade ambiental (agrônomos, biólogos, engenheiros ambientais, florestais e de pesca), sem somar como pessoas únicas. Com os “mais de 100 mil” do CFBio, a Biologia é cerca de 35% desse total; com os 76,5 mil do cadastro de 2025, ainda é mais de um quarto. Nenhum outro conselho da área, fora o Sistema Confea/Crea, reúne tanta gente.

Gráfico: biólogos registrados por conselho regional, 2024 e 2025

A geografia é concentrada. O CRBio-01 (São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) tem 19.550 profissionais, um quarto do sistema. O CRBio-02 (Rio de Janeiro) tem 14.462, e o CRBio-04 (Minas Gerais, Distrito Federal, Goiás e Tocantins), 12.135. Os três juntos somam 60% de todos os biólogos registrados. Os seis estados da Amazônia cobertos pelo CRBio-06 (Manaus) somam 5.349 profissionais, 7% do total, para a região com a maior biodiversidade do país.

CRBio (jurisdição)Profissionais em 31/12/2025% do sistemaProfissionais em 31/12/2024
CRBio-01 (SP, MT, MS)19.55025,5%14.482
CRBio-02 (RJ)14.46218,9%7.230
CRBio-04 (MG, DF, GO, TO)12.13515,9%8.315
CRBio-03 (RS)5.9497,8%3.620
CRBio-05 (PE, CE, RN, PB, PI, MA)5.9467,8%6.042
CRBio-06 (AM, AC, AP, PA, RO, RR)5.3497,0%5.254
CRBio-08 (BA, AL, SE)4.5976,0%2.452
CRBio-07 (PR)3.2664,3%2.598
CRBio-09 (SC)2.8873,8%1.719
CRBio-10 (ES)2.3903,1%2.159
Sistema CFBio/CRBios76.531100%53.871
Pessoas jurídicas registradas6.3605.529

Fonte: CFBio, Relatos Integrados de Gestão 2024 e 2025. As duas colunas não têm a mesma base de contagem (ver nota metodológica).

Outro termômetro é a Anotação de Responsabilidade Técnica. Foram 53.936 ARTs em 2023, 56.252 em 2024 e 85.707 em 2025, um salto de 52% que coincide com a decisão do CFBio de isentar a taxa de emissão a partir de 2025. A profissão também mudou de nome no cadastro: a Resolução CFBio 760, de junho de 2026, substitui o antigo Cadastro Nacional de Biólogos (CNB) pelo Cadastro Nacional das Ciências Biológicas (CNCB), que passa a valer no início de 2027 e vai permitir consulta pública por categoria profissional, estado, município e área de especialidade.

Quem está chegando

O Censo da Educação Superior 2024, do Inep, mostra que Ciências Biológicas é oferecido por 881 instituições, tem 101.868 matrículas, recebeu 40.344 ingressantes em 2024 e formou 13.829 pessoas no mesmo ano. Somadas às sete formações de núcleo ambiental que o relatório “Quem somos nós?” acompanha (204.253 matrículas em Agronomia, Gestão Ambiental, Engenharia Ambiental, Engenharia Ambiental e Sanitária, Engenharia Florestal, Geologia e Oceanografia), a comunidade tem cerca de 306 mil alunos, e um em cada três está na Biologia. Nos concluintes, os 13.829 diplomas de 2024 são o maior volume anual entre as formações com dado no Censo, ou seja, é a maior fábrica de diplomas da comunidade ambiental.

Gráfico: matrículas nas oito formações de núcleo ambiental em 2024
Matrículas nas formações de núcleo ambiental (Censo 2024)Alunos% do conjunto
Ciências Biológicas101.86833,3%
Demais sete formações do relatório “Quem somos nós?”204.25366,7%
Conjunto306.121100%

O curso tem uma peculiaridade que explica muita coisa nas seções seguintes: a maior parte da oferta é licenciatura, isto é, forma professores de Ciências e Biologia, não biólogos de campo ou de laboratório. Em 2019, o Censo já contava “quase 80 mil matrículas” só nas licenciaturas em Ciências Biológicas, o quinto curso de formação de professores mais procurado do país. Quem se forma licenciado e vai dar aula não precisa de registro no CRBio, e por isso a distância entre 13,8 mil formandos por ano e 76,5 mil registrados no sistema inteiro não é um erro: uma parte grande dos diplomas nunca vira registro profissional.

Formação em Ciências Biológicas (Censo 2024)Valor
Instituições que oferecem o curso881
Matrículas101.868
Ingressantes40.344
Concluintes13.829
Matrículas só em licenciatura (Censo 2019)quase 80 mil
Maior instituição (Centro Universitário Leonardo da Vinci, Indaial, SC)4.816 matrículas
Gráfico: dez cidades com mais alunos de Ciências Biológicas

O mapa das matrículas repete um padrão conhecido do ensino superior brasileiro. São Paulo (12.156 alunos em 105 instituições) e Rio de Janeiro (8.435 em 37) lideram, mas a terceira cidade do Brasil em alunos de Biologia é Indaial, em Santa Catarina, com 4.816 matrículas em uma única instituição: a sede do Centro Universitário Leonardo da Vinci, o polo EAD da Uniasselvi. Entre as cinco maiores instituições do curso, quatro são operações fortes em ensino a distância (Leonardo da Vinci, Cesumar, Estácio e Uninter); a primeira universidade pública da lista é a UFRJ, em quinto, com 1.348 alunos. No conjunto do ensino superior, 2024 foi o primeiro ano em que o EAD ultrapassou o presencial, com 50,7% das matrículas.

Isso virou disputa política em 2026. O Decreto 12.456/2025 e a Portaria MEC 381/2025 criaram o novo marco do EAD, com limites de carga horária a distância por curso, e o CFBio publicou nota de repúdio pedindo formação exclusivamente presencial para a profissão. Em 9 de setembro de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o parecer do PL 5414/2016, que proíbe graduações a distância na área da saúde e em Educação Física; o CFBio acompanhou a sessão e apoiou o texto, embora Ciências Biológicas não esteja nominalmente na lista.

Quanto ganha

Aqui está a diferença mais dura em relação ao resto da comunidade ambiental. Engenheiros, agrônomos, arquitetos, químicos e veterinários, cujos sistemas de conselho só no Confea/Crea e no CFQ/CRQs somam mais de 1,4 milhão de registrados, têm piso legal de 8,5 salários mínimos por 8 horas (R$ 13.778,50 em 2026) pela Lei 4.950-A, de 1966. O biólogo não tem piso nenhum. A Lei 6.684, de 1979, que regulamentou a profissão, não fixou salário mínimo profissional, e o que existe são convenções coletivas locais e um projeto de lei que anda há treze anos.

O PL 5755/2013 fixa jornada de 8 horas diárias (40 semanais, plantões de até 12 horas) e piso de R$ 4.685 para biólogos do setor privado e de estatais que não dependem do Tesouro, como a Petrobras. O valor deve ser corrigido pelo INPC acumulado desde setembro de 2016 até a publicação da lei, e depois reajustado todo ano. Servidores públicos ficaram de fora do texto, e o CFBio diz que tenta reincluí-los. O projeto foi aprovado na Comissão de Trabalho, na de Finanças e Tributação e, em 28 de abril de 2026, na Comissão de Constituição e Justiça, em caráter conclusivo. Segue para o Senado, a menos que haja recurso para votação no Plenário da Câmara. A Câmara não divulgou o valor já corrigido: quase dez anos de INPC separam os R$ 4.685 nominais do piso que valeria de fato.

Gráfico: quanto ganha o biólogo

O mercado formal paga perto disso, e às vezes menos. Segundo o portal Salário.com.br, com base no CAGED entre agosto de 2025 e julho de 2026, o biólogo (CBO 2211-05) tem salário médio de R$ 4.423,19, mediana de R$ 3.711,00, piso observado de R$ 3.858,15 e teto de R$ 7.381,50, para jornada de 41 horas semanais, numa amostra de 3.227 profissionais. A mediana equivale a 2,3 salários mínimos; a média, a 2,7. Outro levantamento, da Quero Bolsa com dados do CAGED e do eSocial, chega a média de R$ 4.186,66 em agosto de 2026, sobre 1.608 contratações. Em qualquer das medidas, o biólogo com carteira assinada ganha cerca de um terço do piso legal que vale para as profissões vizinhas da Lei 4.950-A.

Como boa parte dos formados vai para a sala de aula, vale olhar a outra CBO. O professor de Biologia no ensino médio (CBO 2321-10) tem média de R$ 4.559,83, mediana de R$ 3.066,00 e jornada média de 23 horas semanais, com 65% de mulheres e idade média de 37,5 anos. O professor de Ciências Biológicas do ensino superior (CBO 2344-05) tem média de R$ 6.075,11 e mediana de R$ 5.009,00, para 24 horas semanais. No serviço público federal, o cargo que mais absorve biólogos, o de analista ambiental do ICMBio, teve remuneração inicial de R$ 8.817,72 no edital de dezembro de 2024, que nomeou 230 analistas ambientais em agosto de 2025 e autorizou mais 87 nomeações em novembro.

FaixaValor mensalFonte
Piso proposto (PL 5755/2013, valor nominal de 2016)R$ 4.685,00Câmara dos Deputados, abr/2026
Biólogo, teto observadoR$ 7.381,50CAGED, ago/2025 a jul/2026
Biólogo, médiaR$ 4.423,19CAGED, ago/2025 a jul/2026
Biólogo, piso observadoR$ 3.858,15CAGED, ago/2025 a jul/2026
Biólogo, medianaR$ 3.711,00CAGED, ago/2025 a jul/2026
Professor de Biologia no ensino médio, média (23 h/semana)R$ 4.559,83CAGED, ago/2025 a jul/2026
Professor de Ciências Biológicas no ensino superior, média (24 h/semana)R$ 6.075,11CAGED, jul/2025 a jun/2026
Analista ambiental do ICMBio, remuneração inicialR$ 8.817,72Edital ICMBio, dez/2024
Salário mínimo 2026R$ 1.621,00Decreto 12.797/2025

Como e onde trabalha

A Biologia não tem um Mini-Censo como o do Confea, e o CFBio não publica pesquisa nacional de vínculo e satisfação. O que dá para medir vem do CAGED e do próprio cadastro do conselho, e os dois apontam para uma profissão majoritariamente feminina, jovem e com muita rotatividade.

Nos 12 meses até julho de 2026, foram 1.491 admissões e 1.736 desligamentos de biólogos com carteira assinada, saldo negativo de 245 vagas e rotatividade de 53,8%. O perfil típico do contratado é uma mulher de 27 anos, e 61,5% dos contratados são mulheres, um perfil que destoa das engenharias do núcleo ambiental, majoritariamente masculinas. São Paulo lidera as contratações, e o tipo de empresa que mais contrata biólogos com carteira é o laboratório clínico, não a consultoria ambiental.

Bióloga analisa culturas em placas de Petri ao microscópio
Bióloga analisa culturas em placas de Petri ao microscópio. O laboratório é o maior empregador formal da profissão. Foto: acervo AMB4

O cadastro do conselho conta outra parte da história. As 6.360 pessoas jurídicas registradas em 2025 (contra 5.529 em 2024) são empresas que precisam de biólogo como responsável técnico: laboratórios, controladoras de pragas e vetores, consultorias ambientais, biotérios, zoológicos e instituições de ensino. E as 85.707 ARTs de 2025 medem quantas vezes um biólogo assinou tecnicamente por um serviço: pouco mais de uma ART por profissional registrado no ano, o que sugere que a maioria dos registrados não assina nenhuma. Sem a pesquisa de vínculo, não é possível dizer quantos biólogos são CLT, quantos são PJ, quantos são servidores e quantos dão aula. Essa é a maior lacuna desta edição.

Movimentação formal de biólogos (CBO 2211-05)Valor
Admissões, ago/2025 a jul/20261.491
Desligamentos, ago/2025 a jul/20261.736
Saldo-245
Rotatividade53,8%
Mulheres entre os contratados61,5%
Idade típica do contratado27 anos
ARTs emitidas em 2023 / 2024 / 202553.936 / 56.252 / 85.707
Pessoas jurídicas registradas em 2024 / 20255.529 / 6.360

O mercado por trás

A Biologia não tem um setor econômico com PIB próprio. É absorvida por três mercados que não conversam entre si. O CFBio organiza a profissão em quatro grandes áreas (Saúde; Meio Ambiente e Biodiversidade; Biotecnologia e Produção; Educação), e a atualização da Classificação Brasileira de Ocupações feita pelo Ministério do Trabalho em junho de 2024 detalhou pela primeira vez as atribuições do biólogo em exames laboratoriais, diagnóstico molecular, controle de vetores e pragas, qualidade da água, vigilância sanitária, licenciamento ambiental, biotecnologia e educação ambiental.

O primeiro mercado é a saúde, que é onde está a carteira assinada: os laboratórios clínicos são o maior empregador formal da CBO 2211-05, e a agenda de “Uma Só Saúde” (controle de vetores, pragas urbanas, zoonoses) é a que o CFBio mais tem pautado em 2026. O segundo é a educação, que absorve os licenciados: professores de Biologia no ensino médio e de Ciências no fundamental, um mercado que o CAGED mostra em contração no setor privado (614 admissões e 682 desligamentos em 12 meses) e que depende dos concursos estaduais e municipais, invisíveis ao CAGED. O terceiro é o meio ambiente: licenciamento, inventários de fauna e flora, monitoramento, unidades de conservação e o serviço público federal, onde os concursos do Ibama e do ICMBio autorizados em agosto de 2024 (810 vagas somadas) foram a maior porta de entrada recente.

Esse terceiro mercado é justamente o que os dados de emprego menos enxergam. O estudo do DIEESE com base na RAIS estimou 3,1 milhões de empregos formais em setores verdes em 2020 (6,7% do total), e o levantamento da Unicamp/Cesit sobre o 4º trimestre de 2024 classificou 16% dos empregos brasileiros como atividades verdes. Nenhuma das duas séries separa biólogos, e as duas usam critérios diferentes, então não se somam. Mas dão a escala: mesmo que todos os 76,5 mil biólogos registrados trabalhassem em setores verdes, eles seriam 2,5% dos 3,1 milhões de empregos formais verdes do DIEESE. O mercado ambiental é muito maior do que a profissão, e a profissão é muito maior do que a fatia dela que aparece como “ambiental” nas estatísticas.

Os três mercados do biólogoO que medeSinal em 2025/2026
Saúde (laboratórios, vigilância, controle de vetores)maior empregador formal da CBO 2211-05CBO atualizada em jun/2024; taxa de ART zerada em 2025
Educação (licenciados)professor de Biologia, CBO 2321-10saldo formal de -68 vagas em 12 meses; concursos públicos fora do CAGED
Meio ambiente (licenciamento, conservação, serviço público)analista ambiental e consultoria810 vagas autorizadas para Ibama e ICMBio em ago/2024; 230 analistas ambientais nomeados no ICMBio em ago/2025

O que os números dizem, e o que não dizem

Três pontos ficam claros. Primeiro, a Biologia é a profissão que mais gera diploma na comunidade ambiental, quase 14 mil por ano, mas boa parte desse diploma não vira registro profissional nem emprego “ambiental”: vira sala de aula ou laboratório. Segundo, é a única profissão do núcleo em que a discussão salarial começa pelo direito a ter um piso, e o piso em debate (R$ 4.685 nominais de 2016) é um terço do que a Lei 4.950-A já garante às engenharias e às demais profissões vizinhas. Terceiro, o cadastro está mudando de forma: o conselho passou a abrigar ecólogos, biotecnologistas e técnicos em análises clínicas, e o novo CNCB, a partir de 2027, deve permitir enfim contar por área de atuação e por município.

O que os números não dizem é quantos biólogos, de fato, vivem de meio ambiente. Não há pesquisa nacional de vínculo, renda ou satisfação da categoria, e o CAGED enxerga só quem tem carteira assinada em empresa privada. Quem faz o inventário de fauna do licenciamento, o monitoramento da unidade de conservação ou o laudo de supressão de vegetação costuma ser PJ, autônomo, bolsista ou servidor, e nenhum desses aparece na estatística de emprego. É a mesma invisibilidade que o relatório “Quem somos nós?” apontou, só que aqui ela é maior.

Nota metodológica: os 76.531 profissionais do Relato Integrado 2025 e os 53.871 do Relato 2024 são contagens do cadastro do Sistema CFBio/CRBios em 31 de dezembro de cada ano, e a base de 2025 já inclui ecólogos, profissionais da biotecnologia e técnicos em análises clínicas, categorias que não estavam na contagem anterior; o “mais de 100 mil” da comunicação institucional do CFBio (jun/2024), usado no relatório “Quem somos nós?”, provavelmente inclui registros inativos ou com pendências, e o conselho não publica a conciliação entre os dois números. Matrículas, ingressantes e concluintes são do Censo da Educação Superior 2024 (Inep), congelado até a divulgação do Censo 2025, prevista para 22/09/2026; as “quase 80 mil” matrículas em licenciatura são do Censo 2019 e não devem ser comparadas com o total de 2024. O Inep não divulga, nas tabulações abertas consultadas, a divisão EAD x presencial e licenciatura x bacharelado específica de Ciências Biológicas para 2024; a leitura sobre EAD nesta edição se apoia na concentração de matrículas por instituição e cidade. Salários do CAGED cobrem só o emprego formal privado, em amostras pequenas (3.227 biólogos, 1.296 professores de Biologia, 518 professores do ensino superior), e as três CBOs vêm de períodos de 12 meses ligeiramente diferentes. Valores de sistemas diferentes (conselho, Inep, CAGED) não são somáveis.

17 de setembro de 2026

Fontes

  • CFBio, Relato Integrado de Gestão 2025 (dados em 31/12/2025, publicado em 29/05/2026): PDF e nota do CFBio
  • CFBio, Relatório Integrado 2024 (31/03/2025): PDF
  • CFBio, Relato Integrado 2021 (“cerca de 80 mil Biólogos registrados”): PDF
  • CFBio/CRBio-06, Relato Integrado 2020 (“cerca de 70 mil Biólogos registrados”): crbio06.gov.br
  • CFBio, “mais de 100 mil profissionais de Biologia registrados”, reunião sobre o PL 5755/2013, 20/06/2024: cfbio.gov.br
  • CFBio, “O CNB vai mudar” (Resolução CFBio 760/2026, CNCB), 20/07/2026: cfbio.gov.br
  • CFBio, Conselhos Regionais de Biologia (jurisdições): cfbio.gov.br
  • CFBio, “PL do Piso Salarial do Biólogo é aprovado na CCJC”, 29/04/2026: cfbio.gov.br
  • Câmara dos Deputados, “Comissão aprova jornada de 8 horas e piso salarial de R$ 4,6 mil para biólogos do setor privado”, 30/04/2026: camara.leg.br
  • CFBio, “CBO reforça importância dos(as) Biólogos(as) no mercado de trabalho”, 04/02/2025: cfbio.gov.br
  • CFBio, “Proibição de cursos EaD na área da saúde avança no Congresso Nacional”, 09/09/2026: cfbio.gov.br
  • CFBio, “Dia do Biólogo” (Lei 6.684/1979 e Decreto 88.438/1983), 03/09/2026: cfbio.gov.br
  • Inep, Censo da Educação Superior 2024, tabulação do curso de Ciências Biológicas: aluno.com.br
  • Instituto Semesp, 16º Mapa do Ensino Superior (2026), dados Brasil: semesp.org.br
  • Quero Bolsa, “50 melhores faculdades de Ciências Biológicas” (Censo 2019, matrículas em licenciatura): querobolsa.com.br
  • Quero Bolsa, “Mercado de trabalho em Biologia”, 25/08/2026: querobolsa.com.br
  • Salário.com.br, Biólogo, CBO 2211-05, dados do CAGED de ago/2025 a jul/2026: salario.com.br
  • Salário.com.br, Professor de Biologia no Ensino Médio, CBO 2321-10: salario.com.br
  • Salário.com.br, Professor de Ciências Biológicas do Ensino Superior, CBO 2344-05: salario.com.br
  • Gran Cursos, concurso ICMBio (edital de 09/12/2024; nomeações de 2025): grancursosonline.com.br
  • Agência Gov, “Gestão autoriza concursos com 810 vagas para Ibama e ICMBio”, ago/2024: agenciagov.ebc.com.br
  • Lei 4.950-A/1966 (salário mínimo profissional) e Decreto 12.797/2025 (salário mínimo de 2026): planalto.gov.br
  • DIEESE, empregos verdes no Brasil (2022, base RAIS 2020) e Unicamp/Cesit, empregos em atividades verdes (2026, 4º tri/2024), conforme citados no relatório “Quem somos nós?”
  • AMB4, “Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira”, relatório final, edição 2026 (data de corte 14/09/2026)

biologia biólogo CAGED Censo da Educação Superior CFBio CRBio EAD piso salarial salário

Conteúdo informativo, publicado em setembro 17, 2026. Não substitui consultoria técnica ou jurídica específica.

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