Engenharia Florestal em números: 16,8 mil títulos, 2,3 mil calouros por ano e um setor de R$ 240 bilhões que abre poucas vagas com carteira
A Engenharia Florestal é a primeira formação desta série sem opção de bacharelado a distância: todo o ensino é presencial, com EAD restrito a especializações. O Sistema Confea registra 16.827 títulos ativos, 74 instituições formam 2.290 calouros por ano, e o setor que mais emprega a profissão, o de base florestal plantada, faturou R$ 240 bilhões em 2024. Isso não se traduz, porém, em saldo positivo no mercado formal: as contratações com carteira assinada da categoria fecharam o último ano no negativo. Este é o quarto texto da série em que o AMB4 passa a régua, profissão por profissão, no estudo "Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira".

A Engenharia Florestal é a primeira formação desta série sem opção de bacharelado a distância: todo o ensino é presencial, com EAD restrito a especializações. O Sistema Confea registra 16.827 títulos ativos, 74 instituições formam 2.290 calouros por ano, e o setor que mais emprega a profissão, o de base florestal plantada, faturou R$ 240 bilhões em 2024. Isso não se traduz, porém, em saldo positivo no mercado formal: as contratações com carteira assinada da categoria fecharam o último ano no negativo. Este é o quarto texto da série em que o AMB4 passa a régua, profissão por profissão, no estudo “Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira”.
Quem já está habilitado
O Mini-Censo Confea 2024 registra 16.827 títulos ativos de engenheiro florestal no Brasil. É a quarta maior formação entre as famílias que o Confea reconhece dentro do núcleo ambiental direto, atrás de Agronomia (136.331), Biologia (mais de 100 mil no sistema CFBio/CRBios) e Engenharia Ambiental (30.734), à frente da Engenharia de Pesca (2.263). Não há série histórica oficial do Confea por título e sexo de forma aberta ao público; aproximações de anos anteriores, publicadas pelo Crea-SC, falam em cerca de 11 mil registrados e 15 mil atuando em 2012, e cerca de 15 mil atuando em 2019, o que sugere um crescimento moderado na última década, mas os números não são diretamente comparáveis ao levantamento atual.
A profissão tem estrutura própria dentro do sistema desde 1973, quando a Resolução Confea 218 definiu suas atribuições, e organização regional desde 2011, quando o Crea-SC criou sua câmara especializada de Engenharia Florestal. Em nível nacional, a coordenadoria das câmaras especializadas (CCEEF) se reuniu em Santarém entre 19 e 21 de agosto de 2026 e definiu como prioridades a floresta urbana, a colheita sustentável, a fiscalização municipal e um assento do Confea no Conama. O dia 12 de julho é celebrado como o Dia do Engenheiro Florestal.

| Indicador | Valor | Referência |
|---|---|---|
| Títulos ativos de engenheiro florestal | 16.827 | Mini-Censo Confea 2024 |
| Aproximação de registrados/atuando em 2012 | cerca de 11 mil / 15 mil | Crea-SC, 13/07/2012 |
| Aproximação de profissionais atuando em 2019 | cerca de 15 mil | CNA, 12/07/2019 |
| Câmara especializada de Eng. Florestal (Crea-SC) | criada em 11/02/2011 | Crea-SC |
| Atribuições da profissão | Resolução Confea 218/1973 | Confea |
| Profissionais ativos no sistema (todas as modalidades) | 1.219.742 | Confea, censo set/2024 a fev/2025 |
Quem está chegando
O Censo da Educação Superior 2024, do Inep, mostra 74 instituições oferecendo Engenharia Florestal no Brasil, com 9.276 matrículas, 2.290 ingressantes e 1.045 concluintes no ano. É a menor formação, em volume de calouros, entre as sete cobertas pelo relatório “Quem somos nós?”, à frente apenas de Geologia e Oceanografia. Também é a primeira formação desta série inteiramente presencial: o levantamento do Serviço Florestal Brasileiro (SNIF, Censo 2019) já registrava 100% dos cursos de bacharelado como presenciais, e em 2026 ainda não foi localizada nenhuma graduação em Engenharia Florestal a distância, só especializações de curta duração em EAD.
Belém, no Pará, concentra 10 instituições e 1.247 matrículas, quase três vezes mais que Cuiabá, a segunda colocada, com 461 matrículas em 3 instituições. Curitiba (432, 2 instituições), São Paulo (431, 2 instituições) e Macapá (349, 3 instituições) completam o topo cinco. Entre as instituições individuais, as cinco maiores em matrícula são todas federais: UFRA (371), UFRRJ (345), UFV (332), UFPR (317) e UFLA (314), um padrão que não se repete nas outras formações já cobertas pela série, em geral puxadas por polos privados de ensino a distância.



| Formação (Censo 2024) | Instituições | Matrículas | Ingressantes | Concluintes |
|---|---|---|---|---|
| Engenharia Florestal | 74 | 9.276 | 2.290 | 1.045 |
Quanto ganha
Como as demais engenharias, a Engenharia Florestal está entre as profissões cobertas pela Lei 4.950-A, de 1966, que fixa o piso salarial profissional em 6 salários mínimos para jornada de 6 horas e 8,5 salários mínimos para 8 horas. Com o salário mínimo de 2026 em R$ 1.621 (Decreto 12.797/2025), o piso de 8 horas vale R$ 13.778,50.
O mercado formal fica abaixo disso. Segundo o Salário.com.br, com base no CAGED entre agosto de 2025 e julho de 2026, o engenheiro florestal (CBO 2221-20) tem salário médio de R$ 8.294,55, mediana de R$ 8.000, primeiro quartil de R$ 4.800 e terceiro quartil de R$ 11.532, numa amostra de 759 profissionais, jornada de 41 horas semanais. A mediana fica pouco mais da metade do piso legal de 8 horas, e mesmo o teto observado (R$ 16.039,86) só supera o piso legal por uma margem estreita. É o mesmo padrão já visto em Agronomia e Biologia: mediana de mercado abaixo do piso previsto em lei, com a diferença de que aqui a categoria tem piso legal garantido por lei federal, e não apenas convenções coletivas.

| Faixa | Valor mensal | Fonte |
|---|---|---|
| Teto observado | R$ 16.039,86 | CAGED, ago/2025 a jul/2026 |
| Piso legal, 8 horas (8,5 SM) | R$ 13.778,50 | Lei 4.950-A/1966 |
| 3º quartil | R$ 11.532,00 | CAGED, ago/2025 a jul/2026 |
| Mediana | R$ 8.000,00 | CAGED, ago/2025 a jul/2026 |
| Média | R$ 8.294,55 | CAGED, ago/2025 a jul/2026 |
| 1º quartil | R$ 4.800,00 | CAGED, ago/2025 a jul/2026 |
| Piso observado | R$ 4.603,68 | CAGED, ago/2025 a jul/2026 |
Como e onde trabalha
Nos 12 meses até julho de 2026, o mercado formal de engenheiro florestal teve 356 admissões e 403 desligamentos, saldo negativo de 47 vagas, com rotatividade de 53,1%. O perfil típico do contratado tem 34 anos, 35,2% são mulheres (queda de 9 pontos percentuais nos últimos anos), o setor que mais emprega com carteira assinada são escritórios de engenharia, e Belo Horizonte concentra o maior número de contratações do país. Desde 2020, o salário médio da categoria subiu 37,1%, variação próxima da inflação acumulada do período, o que não deve ser lido como ganho real de renda.
Colocando lado a lado os saldos formais das quatro profissões já cobertas por esta série: Agronomia fechou em -260, Biologia em -245, Engenharia Ambiental foi a única positiva, em +98, e Engenharia Florestal fecha em -47. A rotatividade das quatro ficou em 47,4%, 53,8%, 47,4% e 53,1%, respectivamente: a Engenharia Florestal tem a segunda maior rotatividade do grupo.

Assim como nas edições sem conselho profissional específico, o Mini-Censo Confea 2024 não abre a pesquisa Quaest de vínculo e satisfação por modalidade florestal. O retrato que existe é o do sistema inteiro: 92% dos profissionais registrados trabalhando, 78% na própria área, com 40% em CLT, 20% como empresários, 11% como servidores públicos e 29% em outros arranjos. Não há como confirmar se esse recorte vale também para a Engenharia Florestal.
| Movimentação formal (CBO 2221-20) | Valor |
|---|---|
| Admissões, ago/2025 a jul/2026 | 356 |
| Desligamentos, ago/2025 a jul/2026 | 403 |
| Saldo | -47 |
| Rotatividade | 53,1% |
| Mulheres entre os contratados | 35,2% |
| Idade típica do contratado | 34 anos |
| Crescimento salarial desde 2020 | +37,1% (próximo do IPCA acumulado) |
O mercado por trás
O setor de base florestal plantada é, de longe, maior que o mercado formal específico da profissão. Segundo o Relatório Anual 2025 da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores, dados de 2024), o Brasil tem 10,52 milhões de hectares de floresta plantada (8,1 milhões de eucalipto, 1,9 milhão de pinus, o restante em outras espécies) e mais 7,01 milhões de hectares conservados dentro das propriedades do setor. A receita do setor somou R$ 240 bilhões em 2024, cerca de 1% do PIB brasileiro, com exportações de US$ 15,7 bilhões. O setor soma 717,9 mil empregos diretos, e a Ibá fala em mais de 2 milhões de postos somando diretos e indiretos, com investimentos previstos de R$ 97,2 bilhões entre 2024 e 2029.
Fora da floresta plantada, a restauração florestal é uma frente ainda em formação. O Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) tem meta de 12 milhões de hectares restaurados até 2030. Um estudo de Pedro Brancalion (USP) e colegas, publicado na revista People and Nature, estimou 8.223 empregos diretos gerados pela restauração em 2019, uma média de 0,42 emprego por hectare, com potencial de gerar entre 1 e 2,5 milhões de empregos até 2030 caso a meta do Planaveg seja cumprida. Já as concessões florestais federais, geridas pelo Serviço Florestal Brasileiro, somam cerca de 1,59 milhão de hectares em 27 Unidades de Manejo Florestal, dentro de 11 Florestas Nacionais espalhadas por seis estados (Rondônia, Pará, Amapá, Amazonas, Paraná e Santa Catarina).
| Indicador do setor florestal | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Área de floresta plantada | 10,52 milhões de ha | Ibá, Relatório Anual 2025 (dados 2024) |
| Área conservada dentro do setor | 7,01 milhões de ha | Ibá, Relatório Anual 2025 |
| Receita do setor em 2024 | R$ 240 bilhões | Ibá, Relatório Anual 2025 |
| Empregos diretos do setor | 717,9 mil | Ibá, Relatório Anual 2025 |
| Empregos diretos e indiretos | mais de 2 milhões | Ibá, Relatório Anual 2025 |
| Meta de restauração (Planaveg) até 2030 | 12 milhões de ha | Planaveg |
| Potencial de empregos na restauração até 2030 | 1 a 2,5 milhões | Brancalion e Chaves, People and Nature (2022) |
| Área em concessões florestais federais | cerca de 1,59 milhão de ha, 27 UMFs, 11 Flonas | Serviço Florestal Brasileiro |
O que os números dizem, e o que não dizem
Três pontos se destacam. Primeiro, a Engenharia Florestal é a única formação desta série sem opção de bacharelado a distância, o que pode ajudar a explicar por que segue sendo a menor em número de calouros entre as sete formações do relatório “Quem somos nós?”: sem EAD, a expansão da oferta depende de universidades físicas, em sua maioria federais. Segundo, o tamanho do setor que emprega a categoria (R$ 240 bilhões, mais de 2 milhões de empregos diretos e indiretos) não se traduz em contratação formal da profissão especificamente: o saldo CAGED sob o CBO 2221-20 foi negativo em 47 vagas no último ano, o segundo pior saldo entre as quatro profissões já cobertas pela série. Terceiro, a mediana salarial de mercado (R$ 8.000) fica bem abaixo do piso legal da categoria (R$ 13.778,50 para 8 horas), repetindo o padrão de Agronomia e Biologia.
O que os números não dizem é quanto dos 717,9 mil empregos diretos do setor florestal plantado, ou dos até 2,5 milhões projetados para a restauração até 2030, corresponde a cargos de engenheiro florestal propriamente ditos, e quanto vai para técnicos florestais, silvicultores e outras ocupações do setor. O Confea não publica pesquisa de vínculo e satisfação por modalidade florestal, a mesma lacuna já registrada nas edições sem recorte específico. E como as concessões florestais federais e a meta do Planaveg são metas de médio prazo, ainda não é possível dizer se esse crescimento anunciado do setor vai se traduzir em mais vagas formais para a profissão, ou se vai continuar concentrado em outras categorias da cadeia florestal.
Nota metodológica: os 16.827 títulos ativos vêm do Mini-Censo Confea 2024; aproximações de anos anteriores (Crea-SC, CNA) usam metodologia diferente e não compõem série histórica comparável. Matrículas, ingressantes e concluintes são do Censo da Educação Superior 2024 (Inep), tabulados por curso via aluno.com.br, e ficam congelados até a divulgação do Censo 2025. Salários e vínculos do CAGED cobrem só o emprego formal privado sob a CBO 2221-20, numa amostra de 759 profissionais, e não capturam quem trabalha como PJ, sócio, servidor ou autônomo. Os dados do setor florestal plantado (Ibá) medem o setor econômico inteiro, não a profissão de engenheiro florestal isoladamente. Valores de sistemas diferentes (conselho, Inep, CAGED, Ibá) não são somáveis entre si.
29 de setembro de 2026
Fontes
- Confea, Mini-Censo Confea 2024 (painel de perfil dos profissionais e pesquisa Quaest): confea.org.br
- Crea-SC, “Engenharia Florestal: profissão do século XXI” (13/07/2012): crea-sc.org.br
- Inep, Censo da Educação Superior 2024 (tabulação por curso via aluno.com.br): aluno.com.br
- Serviço Florestal Brasileiro (SNIF), Censo do Ensino Florestal 2019
- Lei 4.950-A/1966 e Decreto 12.797/2025 (salário mínimo de 2026): planalto.gov.br
- Salário.com.br, Engenheiro Florestal, CBO 2221-20 (CAGED, ago/2025 a jul/2026): salario.com.br
- Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), Relatório Anual 2025: PDF
- Planaveg, Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa
- Brancalion, P. e Chaves, R. et al., People and Nature (2022), empregos na restauração florestal
- Serviço Florestal Brasileiro, concessões florestais federais
- AMB4, “Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira”, relatório final, edição 2026 (14/09/2026)
Conteúdo informativo, publicado em setembro 29, 2026. Não substitui consultoria técnica ou jurídica específica.