Agronomia em números: 136 mil títulos, 53 mil calouros por ano e um piso de R$ 13,8 mil que o mercado não paga
A Agronomia é, de longe, a maior profissão da comunidade ambiental brasileira. São 136.331 títulos de engenheiro agrônomo ativos no Sistema Confea/Crea, mais do que engenheiros ambientais, florestais e de pesca somados. Na outra ponta, 125 mil alunos estão matriculados no curso e 53 mil entraram só em 2024. O mercado que os espera cresceu 12% em 2025 e responde por um quarto do PIB. Mas os salários praticados ficam bem abaixo do piso legal, e menos da metade dos profissionais trabalha com carteira assinada. Este é o primeiro texto da série Mercado por Profissão, em que o AMB4 passa a régua, profissão por profissão, no estudo "Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira".

A Agronomia é, de longe, a maior profissão da comunidade ambiental brasileira. São 136.331 títulos de engenheiro agrônomo ativos no Sistema Confea/Crea, mais do que engenheiros ambientais, florestais e de pesca somados. Na outra ponta, 125 mil alunos estão matriculados no curso e 53 mil entraram só em 2024. O mercado que os espera cresceu 12% em 2025 e responde por um quarto do PIB. Mas os salários praticados ficam bem abaixo do piso legal, e menos da metade dos profissionais trabalha com carteira assinada. Este é o primeiro texto da série Mercado por Profissão, em que o AMB4 passa a régua, profissão por profissão, no estudo “Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira”.
Quem já está habilitado
O Mini-Censo Confea 2024, painel do próprio conselho, registra 136.331 títulos ativos de engenheiro agrônomo. É o maior contingente entre as profissões de núcleo ambiental: os engenheiros ambientais somam 30.734 títulos e os florestais, 16.827. A ressalva é a de sempre: o Confea conta títulos, não pessoas, e um mesmo profissional pode ter mais de um.
Para ter uma ideia do ritmo, um levantamento apresentado no Contecc 2021 apontava 130.580 profissionais registrados em toda a modalidade Agronomia (que no sistema inclui também engenheiros agrícolas, florestais, de pesca, de aquicultura e meteorologistas) em julho de 2020, cerca de 14% dos 931.838 engenheiros então cadastrados. Em 2020, o número de agrônomos propriamente ditos girava em torno de 109 mil, sendo 88.594 homens e 20.348 mulheres. Ou seja: em quatro anos, o estoque de títulos de agrônomo cresceu na casa de 25%, e as mulheres ainda são menos de um quinto da profissão.

Em São Paulo, o Crea-SP contabiliza mais de 37 mil agrônomos registrados, a quarta maior profissão do conselho paulista. Nacionalmente, o Sistema Confea/Crea tem hoje 1.219.742 profissionais ativos em todas as modalidades.
| Indicador | Valor | Referência |
|---|---|---|
| Títulos ativos de engenheiro agrônomo | 136.331 | Mini-Censo Confea 2024 |
| Registrados na modalidade Agronomia (todos os títulos) | 130.580 | Contecc 2021, posição de jul/2020 |
| Agrônomos em 2020 (homens / mulheres) | 88.594 / 20.348 | Crea, 2020 |
| Agrônomos registrados no Crea-SP | mais de 37 mil | Crea-SP, fev/2026 |
| Profissionais ativos no sistema (todas as modalidades) | 1.219.742 | Confea, set/2026 |
Quem está chegando
O Censo da Educação Superior 2024, do Inep, mostra o tamanho da porta de entrada: 436 instituições oferecem o curso, 125.299 alunos estão matriculados, 53.152 ingressaram em 2024 e 12.408 concluíram no mesmo ano. Não são a mesma turma (quem entrou em 2024 só se forma por volta de 2029), mas a distância entre 53 mil calouros e 12 mil formandos por ano já mostra o tamanho do funil.

A década transformou o curso. Segundo o Mapa do Ensino Superior do Instituto Semesp, as matrículas presenciais em Agronomia cresceram 26% entre 2013 e 2023, enquanto o restante do ensino superior presencial encolheu 19%. O que explodiu foi o ensino a distância: Agronomia EAD não existia em 2013 e chegou a 45 mil alunos em 2023. No conjunto dos cursos do agrossistema, o EAD cresceu 1.077% em dez anos.
Hoje a distância já domina a oferta. Das 88.522 vagas de Agronomia autorizadas no e-MEC, 57% são EAD. Só que essas vagas estão concentradas em pouquíssimas mãos: 405 cursos presenciais dividem 37.822 vagas, enquanto cerca de dez cursos a distância respondem pelo restante, e duas instituições sozinhas ofertam 47.440 vagas, 93,6% de todo o EAD da profissão. O efeito aparece no mapa: Londrina (PR), com 23.744 matrículas, e Indaial (SC), com 10.752, são as duas cidades com mais alunos de Agronomia do Brasil, porque abrigam as sedes dos polos EAD, e não porque tenham lavoura.

| Formação em Agronomia (2024) | Valor |
|---|---|
| Instituições que oferecem o curso | 436 |
| Matrículas | 125.299 |
| Ingressantes | 53.152 |
| Concluintes | 12.408 |
| Vagas autorizadas (e-MEC) | 88.522, sendo 57% EAD |
| Crescimento das matrículas presenciais, 2013 a 2023 | +26% |
| Alunos de Agronomia EAD em 2023 | 45 mil (zero em 2013) |
O perfil do aluno também destoa do resto da universidade: 49,2% são homens (acima da média geral), a idade é menor, a renda familiar é mais alta e a maioria não trabalha durante o curso. A evasão acumulada entre 2019 e 2023 foi bem maior no EAD do que no presencial, e o Semesp atribui isso à falta de atividades práticas.
Quanto ganha
Aqui a Agronomia tem uma peculiaridade legal. A Lei 4.950-A, de 1966, fixa o salário mínimo profissional de engenheiros, arquitetos, químicos, veterinários e agrônomos em 6 salários mínimos para jornada de 6 horas diárias e 8,5 salários mínimos para 8 horas. Com o salário mínimo de 2026 em R$ 1.621 (Decreto 12.797/2025), o piso vale R$ 9.726 e R$ 13.778,50, respectivamente. Ele vale apenas para contratos CLT e é fonte permanente de disputa judicial.
O mercado formal paga menos. Segundo o portal Salário.com.br, com base nos registros do CAGED entre agosto de 2025 e julho de 2026, o engenheiro agrônomo (CBO 2221-10) tem salário médio de R$ 9.782,30, mediana de R$ 8.805,00, piso observado de R$ 4.375,65 e teto de R$ 17.946,78, para jornada de 42 horas semanais. Metade dos contratados, portanto, ganha menos do que o piso legal de 6 horas, e a média fica R$ 4 mil abaixo do piso de 8 horas. Outro levantamento, do portal Engenharia 360, chega a uma média de R$ 8.172,80 em 2026.

O quadro melhora com o tempo de carreira, e quando se olha renda, não só salário. Entre os agrônomos paulistas ouvidos pelo Mini-Censo, a renda média passa de 10 salários mínimos depois de 5 anos de registro e chega a 15 salários mínimos depois de 10 anos. Para o conjunto dos profissionais do Confea, 68% têm renda familiar acima de 5 salários mínimos, contra 25% da população brasileira.
| Faixa | Valor mensal | Fonte |
|---|---|---|
| Piso legal, 8 horas (8,5 SM) | R$ 13.778,50 | Lei 4.950-A/1966 |
| Piso legal, 6 horas (6 SM) | R$ 9.726,00 | Lei 4.950-A/1966 |
| Teto observado | R$ 17.946,78 | CAGED, ago/2025 a jul/2026 |
| Média | R$ 9.782,30 | CAGED, ago/2025 a jul/2026 |
| Mediana | R$ 8.805,00 | CAGED, ago/2025 a jul/2026 |
| Piso observado | R$ 4.375,65 | CAGED, ago/2025 a jul/2026 |
| Renda após 10 anos de registro (SP) | cerca de 15 SM | Mini-Censo Confea / Crea-SP |
Como e onde trabalha
A pesquisa nacional do Confea, feita pela Quaest com 48 mil profissionais entre setembro de 2024 e fevereiro de 2025, dá o retrato mais completo disponível: 92% dos registrados estavam trabalhando e 78% atuavam na própria área. Mas só 40% eram celetistas. Outros 20% eram empresários, 11% servidores públicos e 29% estavam em outros arranjos, o que inclui consultoria, pessoa jurídica e trabalho autônomo. É por isso que o CAGED, que enxerga só a carteira assinada, sempre subestima a profissão.

Os dados de movimentação formal mostram um mercado que gira muito e cresce pouco: nos 12 meses até julho de 2026, foram 2.360 admissões e 2.620 desligamentos de engenheiros agrônomos, saldo negativo de 260 vagas e rotatividade de 47,4%. São Paulo é o estado com mais contratações. O perfil típico do contratado é um homem de 29 anos, com 44 horas semanais, em empresa de consultoria agrícola.

Apesar disso, é a profissão que mais se recomenda a si mesma: 88% dos agrônomos indicariam a carreira a alguém, acima da média de 80% do Sistema Confea. Em São Paulo, 77% avaliam positivamente a própria evolução profissional, 69% estão satisfeitos com as condições de trabalho e 55% têm mais de dez anos de atuação.
O mercado por trás
O pano de fundo explica o otimismo. O PIB do agronegócio cresceu 12,2% em 2025 e chegou a R$ 3,20 trilhões, 25,13% do PIB brasileiro, contra 22,9% em 2024, segundo o Cepea/Esalq-USP e a CNA. O segmento primário avançou 17% e os agrosserviços, 13,8%. Em 2025, o setor ocupava 28,4 milhões de pessoas, 26,3% de todos os trabalhadores do país, e o grupo que mais cresceu dentro dele foi justamente o de trabalhadores com ensino superior, com alta de 8,3% no ano.

O Semesp acrescenta que, entre 2019 e 2022, o emprego formal nas carreiras do agrossistema cresceu 15,4%, contra 7,6% nas demais, e que esses profissionais ganham em média 9,4% a mais do que os de outras áreas.
| Agronegócio em 2025 | Valor |
|---|---|
| PIB do agronegócio | R$ 3,20 trilhões (+12,2%) |
| Participação no PIB nacional | 25,13% |
| Pessoas ocupadas no setor | 28,4 milhões (26,3% dos ocupados) |
| Crescimento dos ocupados com ensino superior | +8,3% |
O que os números dizem, e o que não dizem
Três pontos ficam claros. Primeiro, a Agronomia é a espinha dorsal numérica da comunidade ambiental: nenhuma outra profissão do núcleo chega perto em títulos, alunos ou mercado. Segundo, a formação mudou de natureza em dez anos, com o EAD respondendo por mais da metade das vagas e concentrado em duas instituições, o que ainda não aparece nos registros profissionais, mas vai aparecer. Terceiro, o piso da Lei 4.950-A é uma referência jurídica, não uma realidade estatística: o mercado formal paga, em mediana, dois terços dele.
O que os números não dizem é onde essa massa de profissionais atua dentro do meio ambiente. Licenciamento, recuperação de áreas degradadas, manejo de solo e água, agricultura de baixo carbono e crédito de carbono são frentes que absorvem agrônomos sem que a CBO ou o Crea consigam separá-las. Essa é a lacuna que a série vai tentar cobrir nas próximas edições, profissão por profissão.
Nota metodológica: títulos do Confea não são pessoas únicas; matrículas, ingressantes e concluintes são fluxo acadêmico do Censo 2024, congelado até a divulgação do Censo 2025, prevista pelo Inep para 22/09/2026; salários do CAGED cobrem só o emprego formal, que é 40% do universo. Os 45 mil alunos de EAD em 2023 (Semesp) e as 125.299 matrículas de 2024 (Inep) vêm de agrupamentos diferentes de cursos e não devem ser somados ou comparados diretamente.
15 de setembro de 2026
Fontes
- Confea, Mini-Censo Confea 2024, pesquisa Quaest com 48 mil profissionais: PDF da pesquisa e nota do Confea
- Confea, total de profissionais ativos: confea.org.br
- Contecc 2021, “Avaliação do quantitativo de engenheiros cadastrados em relação aos engenheiros formados no Sistema Confea/Crea”: PDF
- Crea-SP, “Futuro semeado: agrônomos de SP lideram ranking de satisfação no trabalho de Engenharia”, 26/02/2026: creasp.org.br
- Inep, Censo da Educação Superior 2024, tabulação do curso de Agronomia: aluno.com.br
- Instituto Semesp, 15º Mapa do Ensino Superior, capítulo especial Agrossistema (2025): semesp.org.br
- Brasilagro, “Em 10 anos, cursos ligados ao agro crescem mais de 1.000% no Brasil”, 13/03/2025: brasilagro.com.br
- Agrolink, “Como está a formação de engenheiros agrônomos no Brasil?”: agrolink.com.br
- Lei 4.950-A/1966 (salário mínimo profissional) e Decreto 12.797/2025 (salário mínimo de 2026): planalto.gov.br
- Salário.com.br, Engenheiro Agrônomo, CBO 2221-10, dados do CAGED de ago/2025 a jul/2026: salario.com.br
- Engenharia 360, “Engenheiros em 2026: guia completo de pisos e médias salariais”: engenharia360.com
- Cepea/Esalq-USP e CNA, PIB do agronegócio 2025, 27/04/2026: cnabrasil.org.br
- Cepea/CNA, mercado de trabalho do agronegócio em 2025, 05/06/2026: O Tempo
- AMB4, “Quem somos nós? O tamanho da comunidade ambiental brasileira”, relatório final, edição 2026 (data de corte 14/09/2026)
Conteúdo informativo, publicado em setembro 15, 2026. Não substitui consultoria técnica ou jurídica específica.